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[+] release
2007, Coletivo Rádio Cipó
ban.da: sf (gót bandwa) 1 Parte lateral; lado. 2 Bando, multidão. 3 Facção, partido. 4 Conjunto de músicos em que predominam os tocadores de instrumento de sopro. sf pl Direção, rumo. B. de artilharia: os tiros dos canhões de um bordo do navio; bordada. B. de flechas: as disparadas por um corpo de flecheiros. À banda: descaído para um lado. Ficar de cara à banda: ficar envergonhado. Pegar da banda podre: tomar o pior partido. Pôr de banda: deixar, desprezar. Sair de banda: esquivar-se.
Descarta os conceitos. Esquece o que tu já viu, ouviu, cheirou e passou a língua – nada mais tá selado. Não como era antes. Abriu um puta rombo na charuba. Tem que destrinchar tudo de novo, senão acaba passando porcaria no meio de tanto bagaço. Bora tratando de se livrar dessas berlotas, meu povo, que o bagulho é dos mais finos pra ser estragado assim com tanto desperdício. Nada disso. Aqui, tudo é muito bem aproveitado e resgatado e reciclado e inalado quantas vezes forem necessárias pra que a brenfa seja uma só carne com os magalha. Vai nessa... pior partido, só porque eles querem arrumar um jeito de controlar essa multidão. Tá difícil... soprar, a gente sopra mesmo. Mas passa. Cada vez mais adiante.
Viagem das phoderosas, seu menino. Junta um aqui, agrega outro mais ali pra frente e vamo andando. Muita missão a ser ainda cumprida nesse mundão de encarnados. Daí que uma banda só não daria conta do recado, tá ligado? Pra muito mais que isso, a parada pelas selvagerias de cá já tá respondendo é por um outro nome. Núcleo de produção de mídias digitais. Tá pensando? Aqui, ninguém tira a gente, não. A gente é que coloca pra dentro, tá por fora. O que a gente quiser, quem a gente quiser. Hoje em dia, o esquema já evoluiu pacarajo – dá até pra se dar a certas birras. Tecnologia digital "caseira" na produção de pesquisas sonoras, vídeos experimentais e artes integradas. Esse é o barato.
E pensar que tudo teve início meio que na brincadeira, em 2001. Quando o produtor e músico Carlinhos Vas, mais o engenheiro agrônomo Erik Martinez começaram a brincar com barulhinhos estranhos tirados de um microcomputador. Quem também tava na bagunça eram o radialista e compositor Rato Boy, figurinha das antigas, além do percussionista Luis Bolla. Nesse "conjunto de idéias coletivas", foi um passo pra que a comunidade da Álvaro Adolfo, da Pedreira, entrasse na onda e participasse das ações do grupo. De um tudo faziam. Mas, principalmente, aprendiam. Não parou de chegar moleque desocupado querendo participar das oficinas de percussão e ritmos eletrônicos, ministradas por Carlinhos e Bolla. Quando viram, a coisa tava grande. Domingo era dia de farra na Álvaro Adolfo. Ensaios abertos eram realizados, inserindo um canal de intercomunicação sócio-cultural e proporcionando ações de entretenimento e lazer na comunidade. Praticamente uma Venezuela...
Mas não parou por aí – na real, tava era longe de parar. Ainda na Álvaro Adolfo, foi criada a rádio-poste independente, Estação C.I – Pedreira, que passou a transmitir, além do basicão (leia-se programação musical), entrevistas na comunidade, informativos de saúde, drogas, esporte, lazer e cultura, através da C.O – Central de Operação montada no quarto-estúdio de Carlinhos, com Rato Boy fazendo valer o vozeirão que Deus lhe deu nas locuções. Como o que é bom dura pouco, porém (ainda mais quando se trata de projetos sociais um tanto, como dizer?, subversivos), mal durou quatro meses no ar e as caixas foram retiradas pelo proprietário da área de rádio cipó, da linha Pedreira City. Teve quem quase chorasse.
Quem não chorou, no entanto, era porque sabia que aquilo era só o ponta-pé inicial. Um longo caminho ainda a percorrer pela frente. Coisa pra macho. Mas macho sensível. Afinal... hay que endurecer, compañero, pero sin perder la ternura jamás. E foi nessa liga que, em 2004, ouviu-se pela primeira vez a história de "núcleo produção de mídia sonora e vídeo arte". Aliando propostas coletivas de produção sonora e gráfica, site, vídeos e oficinas, foi elaborado o projeto "Formigando na Calçada do Brasil". Com letras de Rato Boy, Rodrigo Jamant e Carlinhos Vas, o grupo expressava a realidade política do país, onde as periferias se igualam em vários aspectos sociais e culturais. Algo como uma Regina Cazé pra gente grande, tá ligado?
E haja vocabulário sinistro: eletrofunkdub, groove funk + samba rock + climas dub do mundo Lee Perry – música de gente doida, maninha. Sendo produzido 90% em estúdio caseiro, o disco é uma homenagem – como não poderia deixar de ser - à Comunidade Álvaro Adolfo. Além da própria comunidade, participaram da bagaça o percussionista Luis Bolla, Trio Manari, Waldiney Machado, Renato Chalu, Jared das Arabias, Marco André, Daniel Delatuche, MG Calibre, Dona Onete, Mestre Bereco e Mestre Laurentino. Escalação que tiraria qualquer um desses timecos paraenses da terceirona. Fácil. E nem futebol jogam... mas quem joga, afinal?
Verdade é que bateram um bolão no lançamento do disco, em 2005, no Teatro Experimental Waldemar Henrique. Tudo devidamente registrado naquele que veio a se chamar "EletroFunkDubSocial", DVD dirigido por Ronaldo Rosa e Renato Chalu, com apoio cultural da Produtora Floresta e Supermercado Amazônia. Além do show em si, o DVD é também um documentário com entrevistas e clipes – a ser lançado em breve, nas melhores bancas de revistas (coisa das mais populares). 2008, aliás, promete... se até músicas dos caras estão sendo vendidas na WWW a 0,99 cents de dólar cada, sem que eles ao menos soubessem disso... bandalheira é pouco.
Pois foi nesse mesmo clima transloucado que esses bichos prepararam um puta evento pra relançar o "Formigando...", aproveitando a deixa pra fazer uma premiére do DVD e lançar logo de uma vez o clipe e o site da band... opa. Mal aê. Desse "núcleo de produção de mídias digitais".
Coletivo Rádio Cipó, pros mais chegados.
Junho de 2005. Píer 47. Belém do Pará. Lançamento do CD "Brazzônia", de MG Calibre. No palco, Marcelinho da Lua e Bossacucanova. Coisa fina. Pra melhorar, só se o CRC desse uma canja. E deu. Da Lua provou do caldo engrossado com muito dub, velho conhecido, e uma pitada de chibé. Curtiu. Quis mais. E agora volta pra relançar seu disco "Social" por essas bandas enquanto espera pra botar a mão na farinha produzindo uma faixa do disco "Lourinha Americana", parte do acervo audiovisual Mestre Laurentino - 80 anos de vida.
Quando o CRC foi se apresentar no Porto Musical, em fevereiro de 2007, lá em Recife, sabiam que coisa boa havia de vir. Até esperavam tropeçar com uns e outros pelos bares na night pernambucana. Só não esperavam que a pedra no caminho fosse tão certeira. Entre uma nota e outra tirada da gaita, Mestre Laurentino encantou ninguém mais do que o Otto. Ele mesmo, o cara que pega a Alessandra Negrini – preferiu o Laurentino, vejam só. E, por ocasião da gravação do programa da MTV, "Viagem ao Centro do Brasil", Otto veio parar por aqui em junho. De carro, veio de Brasília passando pela tribo dos Xicrins e seguindo pra São Luis, Recife e Salvador. Não deu outra. Assim que chegou em Belém, tratou de procurar os moleques do CRC pra falar - a qualquer custo - com o Mestre. Nem precisou pagar tão caro. Só três dias de piração pela Cidade Velha, aparelhagem em Icoaraci e, sim, Álvaro Adolfo – cantou parabéns pra Dona Onete. Desde então, rolou essa aproximação e, por e-mail e telefonemas, idéias foram sendo trocadas e cá está o moço novamente. Salve.’
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